22 de junho de 2017

Sopa primordial #6: organizando os elementos


Outro dispositivo a que toda experiência sobre a origem da vida recorre é o sifão para proteger os produtos finais que foram formados. Os aminoácidos são delicados e facilmente se quebram, voltando aos elementos dos quais eles são compostos. Quando a eletricidade ou o calor são usados como fonte de energia para induzir os elementos químicos a se ligarem e formar aminoácidos, essa mesma energia pode também quebrá-los. Assim, o pesquisador tem que achar alguma forma de proteger os delicados compostos químicos. A solução é construir um sifão que remova os aminoácidos do local da reação assim que são formados, para protegê-los da desintegração. O aparato de Miller era um quadrado de vidro com tubulação ligada a um bulbo no topo, cheio de eletrodos para criar faíscas, e uma elevação em forma de “U” na parte de baixo, cheia de água para capturar os aminoácidos. Miller drenava o sifão para remover os aminoácidos da área da reação a fim de que não se quebrassem de novo.

Para entender por que isso e tão importante, imagine que você seja uma criança saboreando uma tigela de sopa de letrinhas. Quando mexe a sopa, você é, nesse caso, uma fonte de energia. Mexendo devagar, você pode fazer com que umas poucas letras se alinhem e formem pequenas palavras, como “P-A-R-A” ou "P-O-R”. Mas, ao continuar mexendo, sua colher vai rapidamente espalhar as letras de novo, a menos que retire as palavras e as coloque cuidadosamente em um prato. É isso que o sifão faz: ele retira os aminoácidos e os coloca cuidadosamente fora de perigo, e os preserva.

O problema é que, mais uma vez, a natureza não vem equipada com sifões convenientes para proteger as delicadas unidades básicas da vida. Quaisquer aminoácidos que possam se formar de modo espontâneo na natureza se desintegrariam com rapidez. Por isso, um sifão é absolutamente necessário para uma experiência, mas ele com certeza faz a experiência completamente irrelevante para confirmar qualquer teoria da origem da vida.

Em todos os aspectos, as experiências que provocaram tanta empolgação se mostraram artificiais. Como resultado, até as experiências mais bem-sucedidas sobre a origem da vida não nos dizem quase nada sobre o que poderia ter acontecido em condições naturais. Elas nos dizem somente o que acontece quando um cientista brilhante manipula as condições, “conduzindo” os materiais ao longo dos caminhos químicos necessários para produzir as unidades básicas da vida.

Então, o que essas experiências realmente provam? Que a vida somente pode ser criada com um agente inteligente direcionando, controlando e manipulando o processo. Os últimos achados científicos não desacreditam a fé bíblica; ao contrário, proveem evidência positiva de que a origem da vida requer um agente inteligente - um criador.

Leia a série sopa primordial completa aqui:

1 - Conhecendo o problema

2 - Aminoácidos problemáticos
3 - O problema do oxigênio
4 - O problema matemático
5 - Laboratório vs. natureza
6 - Organizando os elementos

13 de junho de 2017

Sopa primordial #5: laboratório vs. natureza


A experiência de Miller foi controlada em laboratório. Mas seria válida se fosse feita na natureza ? Por exemplo, na natureza, os elementos químicos quase nunca são encontrados em estado puro. Como resultado, ninguém pode predizer com certeza que reações acontecerão. Substancias A e B podem reagir efetivamente no laboratório, onde formas purificadas e isoladas são usadas. Mas, na natureza, há quase sempre outros elementos químicos – C e D - ao redor, o que significa que a substancia A pode reagir com C ao invés de reagir com B, rendendo resultado completamente diferente do que o cientista esperava. Em outras palavras, na natureza há todo tipo de reação concorrente. Desse modo, como os cientistas evitam o problema das reações concorrentes? Eles destampam suas garrafas e derramam somente ingredientes puros e isolados. Quando a experiência envolve mais do que um passo, tal como ir de aminoácidos para proteínas, os pesquisadores reiniciam cada passo com ingredientes novos. Obviamente, isso frauda o experimento. 

A natureza não tem frascos de ingredientes puros para derramar a cada passo do processo. Considere outro experimento típico, que usa luz ultravioleta ao invés de eletricidade, para fazer com que os elementos químicos reajam. A ideia é estimular a luz do sol a se irradiar sobre um lago primitivo na Terra em seus primeiros dias. Só há um probleminha: as ondas mais compridas da luz ultravioleta são muito destrutivas e poderiam destruir o próprio aminoácido que os cientistas estão esperando formar. Então o que fazem? Filtram as ondas longas e usam somente as ondas mais curtas. Portanto, mais uma vez, o sucesso é comprado pelo preço de fraudar a experiência. 

Um lago ou charco primitivo real não teria nenhum filtro para proteger os frágeis aminoácidos dos raios destrutivos do sol. Como resultado, essas experiências não nos dizem o que poderia realisticamente ter acontecido na Terra primitiva; elas nos dizem somente o que acontece quando os pesquisadores controlam cuidadosamente as condições.

Leia a séria sopa primordial completa em :
1 - Conhecendo o Problema

2 - Aminoácidos Problemáticos
3 - O problema do Oxigênio
4 - O problema matemático
5 - Laboratório vs Natureza

6 - Organizando os elementos

9 de junho de 2017

Sopa primordial #4: o problema matemático


Muito antes da era da informação, pensava-se que as células eram muito simples, e era fácil raciocinar que a vida tivesse surgido por acaso. O próprio Darwin pensava que a célula era um simples protoplasma disforme, e ele concluiu que ela se desenvolveu em um “pequeno lago quente”. Mas, quando a humanidade começou a descobrir a maravilhosa complexidade da célula, tornou-se cada vez mais difícil se apegar a teorias do acaso. Os biólogos geralmente se refugiavam na ideia de um tempo quase infinito. Em razão disso - argumentavam - qualquer coisa pode acontecer. Ao longo de milhões de anos, o inesperado se torna provável e o improvável é transformado em inevitável. Por um período, os biólogos se saíram com essa argumentação - somente porque o número de milênios evocado era tão imenso que ninguém seria capaz de conceber o que aquele tipo de escala de tempo realmente significava.

Mas a revolução do computador colocou em xeque as hipóteses de que a vida tenha surgido por acaso. No início dos anos 1960, matemáticos começaram a escrever programas para simular cada processo debaixo do sol, e eles colocaram os olhos sobre a própria evolução. Debruçados sobre computadores de alta velocidade, simularam o processo de tentativa-e-erro da evolução neodarwiniana ao longo de equivalentes bilhões de anos. O resultado foi estremecedor: os computadores mostraram que a probabilidade de a evolução ter acontecido por um processo ocasional é essencialmente zero, não importando quanto tempo levasse.

Em 1966, em simpósio decisivo realizado no Instituto Wistar, na Filadélfia, um grupo de especialistas em computação apresentou seus achados para os biólogos dos EUA. A direção do evento foi conduzida por Murray Eden, do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), e Mareei Schutzenberger, da Universidade de Paris. No começo, os biólogos estavam com raiva da pretensão dos experts em computação por terem invadido seu território. Mas os números não podiam ser negados. Depois do simpósio, as teorias do acaso começaram a ser quietamente enterradas.

Conforme noticiou o site Criacionismo, os registros daquela conferência, Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution (“Desafios Matemáticos à Interpretação Neo-darwiniana da Evolução”, Wistar Institute Press, 1966, n. 5), reportam vários desafios à evolução, apresentados por respeitados matemáticos e outros acadêmicos da conferência. Por exemplo, o presidente da conferência, Sir Peter Medawar, afirma logo no início:

“A causa imediata para esta conferência é o senso difundido de insatisfação com relação ao que tem sido aceito como teoria evolucionária no mundo de língua inglesa, a chamada Teoria Neodarwiniana... Há objeções feitas por colegas cientistas que sentem que, na teoria atual, algo está faltando... Essas objeções à teoria neodarwiniana atual são muito amplamente difundidas entre os biólogos em geral; e não devemos, penso eu, solucioná-las. O simples fato de realizarmos esta conferência é evidência de que não iremos solucioná-las” (Sir Peter Medawar, “Remarks by the Chairman”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. xi).

Vários cientistas, dentre eles alguns matemáticos, comentaram sobre alguns problemas com o neodarwinismo:

“Uma forma alternativa de olhar para o genótipo é como um algoritmo gerador, ao invés de um diagrama; uma receita para produzir um organismo vivo do tipo certo no ambiente adequado para seu desenvolvimento é um exemplo. Assumindo essa hipótese, o algoritmo deve ser escrito em alguma linguagem abstrata. A biologia molecular pode ter nos fornecido o alfabeto dessa linguagem, mas é um longo trajeto do alfabeto até à compreensão do idioma. Não obstante, uma linguagem tem regras, e essas são as maiores restrições num conjunto de mensagens possíveis. Nenhuma linguagem formal existente pode tolerar mudanças aleatórias nas sequências de símbolos que expressam as sentenças. Seu significado é quase que invariavelmente destruído. Quaisquer mudanças devem seguir leis sintáticas. Eu poderia conjecturar que o que alguém pode chamar de ‘gramática genética’ tem uma explicação determinística e não deve sua estabilidade à pressão da seleção atuando em variações aleatórias” (Murray Eden, “Inadequacies as a Scientific Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 11).

“Requerer-se-iam milhares, talvez milhões de mutações sucessivas para produzir até mesmo a mais simples complexidades que observamos na vida hoje. Parece que, ingenuamente, não importa o quão grande seja a probabilidade de uma única mutação, ainda que fosse tão grande quanto à metade, ter-se-ia essa probabilidade elevada à milionésima potência, o que é tão próximo a zero que as chances de o processo ocorrer parecem ser inexistentes” (Stanislaw M. Ulam, “How to Formulate Mathematically Problems of Rate of Evolution”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 21).

“Não conhecemos qualquer princípio geral que explique como unir o diagrama visto por objetos tipográficos e as coisas que eles supostamente controlam. O único exemplo que temos para uma situação similar (fora da evolução da vida) é a tarefa de profissionais de inteligência artificial em criar sistemas adaptáveis. Sua experiência converge com a maioria dos observadores: sem uma programação prévia, nada de interessante pode ocorrer. Assim, para concluir, acreditamos que há uma falha (gap) considerável na teoria neodarwiniana da evolução, e que esse gap não pode ser solucionado com a atual concepção de biologia” (Marcel Schutzenberger, “Algorithms and Neo-Darwinian Theory”, in Mathematical Challenges to the Neo-Darwinian Interpretation of Evolution, Wistar Institute Press, 1966, n. 5, p. 75).

Esses são fortes argumentos de acadêmicos qualificados para avaliar a habilidade matemática de processos aleatórios/seletivos para produzir complexidade. Enquanto biólogos evolucionistas e outros tipos de biólogos podem produzir vários insights em biologia evolucionária, cientistas de outras áreas, não biólogos, bem como matemáticos, estão certamente qualificados para comentar sobre a falseabilidade da evolução neodarwiniana.

Como resultado, é comum hoje em dia ouvirmos proeminentes cientistas ridicularizarem a ideia de que a vida surgiu por acaso. O famoso astrônomo Sir Fred Hoyle compara essa tese como alinhar 10 elevado a 50 (dez com cinquenta zeros após) pessoas cegas, dando a cada uma delas um cubo mágico com os quadradinhos desordenados, e descobrir que todas encontraram a ordenação correta ao mesmo tempo.

OUTRO CÁLCULO

O químico Dr. Wilder-Smith calculou a imensa probabilidade contra a combinação de aminoácidos para formar as proteínas necessárias por meios indiretos. Ele estimou uma probabilidade de mais de 10 elevado a 67 para 1 (10^67:1) contra a formação de mesmo uma pequena proteína – pelo tempo e o acaso, em uma mistura ideal de substâncias químicas, em uma atmosfera ideal e fornecido o tempo de 100 bilhões de anos (uma idade de 10 a 20 vezes maior do que a suposta idade da Terra). 

Matemáticos geralmente concordam que, estatisticamente, qualquer probabilidade além de 1 em 10 elevado a 50 (1:10^50) tem zero chance de ocorrer alguma vez.

Qual foi a conclusão final do cálculo? O fato é que enfaticamente a vida NÃO poderia ter surgido espontaneamente em uma sopa primitiva desse tipo.

NOTA FINAL

“O matemático Granville Sewell, da Universidade do Texas, El Paso, aponta em um de seus artigos: 'Conheço muitos matemáticos, físicos e cientistas da computação que, como eu, estão atônitos por a explanação de Darwin para o desenvolvimento da vida ser tão aceita nas ciências biológicas' (“A Mathematician’s View of Evolution”, The Mathematical Intelligencer, v. 22 (4) (2000)). O motivo para a 'cegueira' dos biólogos evolucionistas, apesar das evidências de outros campos da ciência, foi muito bem resumido pelo jornalista Michelson Borges, ao comentar sobre o Simpósio Wistar, de 1966, no debate entre matemáticos e darwinistas sobre a probabilidade de o olho ter evoluído por meio da acumulação de pequenas mutações: ‘Ou seja: a evolução é um fato; o olho está aqui; então, independentemente do que digam os matemáticos, o olho evoluiu. Ponto final’ (A História da Vida, p. 46).”



8 de junho de 2017

Sopa primordial #3: o problema do oxigênio


Materialistas assumem que a vida surgiu no meio aquático da Terra primitiva - água que não continha absolutamente nenhuma vida, apenas minerais e substâncias químicas usadas pelos seres vivos. Para isso se assume que não havia oxigênio na atmosfera, porque o oxigênio na atmosfera destruiria toda possibilidade de vida que eventualmente surgisse por processos naturais. Os materialistas erroneamente assumem que a atmosfera não possuía oxigênio. Eles também assumem que a atmosfera continha certos ingredientes necessários, incluindo amônia, nitrogênio, hidrogênio, vapor d'água e metano. Entretanto, é bem sabido que a mistura desses ingredientes não cria vida. Então, materialistas teorizaram que algo mais seria necessário - talvez uma descarga de energia. 

Os experimentos de Stanley Miller supunham uma atmosfera rica em hidrogênio e com pouco (ou quase nada) oxigênio. Modelos teóricos recentes da formação da Terra sugerem que a atmosfera primitiva era medianamente oxidante. Isso parece estar confirmado por observações recentes realizadas em resíduos vulcânicos no norte de África que datam de mais de 4 bilhões de anos [segundo a cronologia evolucionista], nos quais se encontra abundante "oxigênio pré-histórico". 

Assim, a atmosfera primitiva não teria as condições para a formação de moléculas orgânicas complexas e, portanto, para que surgisse a vida. Além disso, há alguns anos foi coletada na Groenlândia uma rocha com aproximadamente [supostos] 3,85 bilhões de anos. É uma rocha sedimentar - portanto a temperatura da Terra era tal que permitia a existência de água na forma líquida, permitia a evaporação e a precipitação. Nessa rocha havia carbonato, o que significa que existia gás carbônico. Havia óxido de ferro, portanto havia oxigênio. 

E, por fim, deveria existir nitrogênio; aliás, o nitrogênio deve ter existido na atmosfera sempre, porque, sendo um gás inerte, não se conhece nenhum processo físico, químico ou biológico que pudesse acrescentá-lo ou retirá-lo. 

Como se vê, a atmosfera primordial da Terra deveria ser constituída de vapor d'água, nitrogênio, gás carbônico e oxigênio. Sem amônia, metano ou hidrogênio, fundamentais na teoria de Oparin e nos experimentos de Miller. 

Portanto, o experimento de 1950 não é mais válido no que se refere à Terra ou à origem da vida.

Leia a séria sopa primordial completa em :
1 - Conhecendo o Problema

2 - Aminoácidos Problemáticos
3 - O problema do Oxigênio
4 - O problema matemático
5 - Laboratório vs Natureza

6 - Organizando os elementos

6 de junho de 2017

Sopa primordial #2: aminoácidos problemáticos


Vamos começar com os aminoácidos que resultaram do tubo de ensaio de Miller. A verdade e que eles diferem de maneira critica daqueles encontrados em seres vivos. Os aminoácidos podem surgir de duas formas, que os cientistas chamam de canhota e destra. A mistura de aminoácidos e outros simples produtos químicos produzidos não é correta para produzir vida. Todas as formas de vida conhecidas usam aminoácidos exclusivamente levógiros (do tipo “mão esquerda”). Moléculas levógiras: um termo usado para se referir à "estereoquímica" da construção da molécula. Um aminoácido pode ser quimicamente levógiro (mão esquerda) ou dextrógiro (mão direita) em sua orientação. Essas duas formas são idênticas em seus átomos, mas opostas em seu arranjo tridimensional. Uma é como a imagem da outra no espelho. Nenhuma forma de vida conhecida pode usar uma combinação de ambos - “mão esquerda” e “mão direita”. Adicionar sequer um aminoácido de “mão direita” a uma cadeia de “mão esquerda” pode destruir toda a cadeia! Quando aminoácidos são sintetizados em laboratório, há sempre uma mistura de 50% das duas formas. Apenas através de processos altamente avançados e inteligentemente controlados essas duas formas podem ser separadas. 

Até mesmo se esse insuperável obstáculo não existisse, outros problemas bem maiores restariam para a produção de vida. Há numerosas razões pelas quais os aminoácidos se desintegrariam ou, antes, nunca se formariam. Além disso, a vida requer muito mais do que aminoácidos. Uma necessidade são as proteínas, outra é o código de DNA.

Os seres vivos são altamente seletivos: eles só usam a forma canhota. Mas quando Miller e seus colegas misturaram elementos químicos no laboratório, produziram ambos os tipos — uma mistura até meio-a-meio de canhotos e destros. 

De fato, isso e o que acontece toda vez que alguém mistura os elementos químicos aleatoriamente no laboratório. Não há nenhum processo natural que produza somente aminoácidos canhotos, o tipo requerido pelos seres vivos. Tudo o que isso significa é que os aminoácidos formados no tubo de ensaio são inúteis para a vida.

Faça as seguintes perguntas: O fato de agruparmos aminoácidos de forma aleatória contribuiria para formar alguma proteína? E quantas proteínas seriam necessárias para a mais simples forma de vida?

Tendo os aminoácidos no tubo de ensaio, agora o problema seria “criar a vida” e fazer com que os aminoácidos se unissem e formassem proteínas. Em 1958, Siney Fox, um químico da Universidade de Miami, começou com aminoácidos já existentes e os ferveu em água para induzi-los a reagir um com o outro. O resultado foram cadeias de aminoácidos parecidas com proteínas, e, como Miller, Fox foi imediatamente introduzido na Salão Moderno dos Cientistas Heróis. 



Mas sérios problemas estão escondidos debaixo dessa publicidade exagerada, porque mais uma vez a vida é muito mais seletiva do que qualquer coisa que possamos produzir em tubos de ensaio. As proteínas em seres vivos são compostas de aminoácidos unidos com uma ligação química muito particular, chamada ligação peptídica. Mas os aminoácidos são como peças daqueles brinquedos de montar, tipo Lego. São capazes de se encaixar em toda classe de maneiras diferentes, formando uniões químicas variadas. É exatamente o que eles fazem em um tubo de ensaio. 

Os aminoácidos se conectam de várias maneiras, sem nunca produzir uma proteína genuína capaz de funcionar em uma célula viva. Além do mais, para uma proteína ser funcional, os aminoácidos devem ligar-se em uma sequência particular, exatamente como as letras em uma frase. Se você as misturar, formará algo sem sentido; se você misturar os aminoácidos em uma proteína, conseguirá uma proteína não funcional. Até o momento, em experiências de laboratório, tudo o que conseguimos formar são sequências misturadas e aleatórias. 

Não há nenhuma força natural capaz de selecionar os aminoácidos corretos e alinhá-los na ordem correta. Como resultado, as cadeias parecidas com proteínas que aparecem em um tubo de ensaio são inúteis para a vida. O fato é que as experiências amplamente propaladas nos dizem muito pouco sobre de onde vieram as proteínas reais, funcionais. 

Ainda assim, esse fato inconveniente é raramente mencionado quando as manchetes proclamam as notícias de que cientistas foram bem-sucedidos em criar as unidades básicas da vida. E não e só isso. Se os cientistas realmente quisessem duplicar o que pode ter acontecido em uma sopa primordial bilhões de anos atrás, eles simplesmente misturariam alguns elementos químicos em uma tina, exporiam esses elementos a uma fonte de energia (calor ou luz) e verificariam os resultados. Porém, nenhum deles jamais faz isso. Por que não? Porque é impossível produzir qualquer composto químico dessa maneira. Ao invés disso, para conseguir aminoácidos e proteínas, mesmo inúteis e não funcionais, pesquisadores têm que controlar a experiência de vários modos.

E então? Como podemos dizer que essa experiência foi definitiva ? Podemos realmente afirmar que a vida "surgiu" de processos químicos em uma sopa primitiva bilhões de anos atrás?

Leia a séria sopa primordial completa em :
1 - Conhecendo o Problema

2 - Aminoácidos Problemáticos
3 - O problema do Oxigênio
4 - O problema matemático
5 - Laboratório vs Natureza

6 - Organizando os elementos

5 de junho de 2017

Sopa primordial #1: conhecendo o problema


Antes de mais nada precisamos conhecer como ocorreu a experiência de Stanley Miller que "provou" o surgimento de vida em processos químicos.




Os cientistas criaram a vida em tubos de ensaio? Eles provaram que a vida surgiu de uma sopa primordial

A maneira pela qual os cientistas tentam provar que a vida surgiu nos mares primitivos consiste em recriar as mesmas condições em laboratório e ver o que acontece. Um dos experimentos mais conhecidos foi realizado em 1953. Jornais estamparam fotos de Stanley Miller, da Universidade de Chicago, usando uma bata branca de laboratório e óculos pesados de armação quadrada, relatando sua sensacional reivindicação de que tinha dado o primeiro passo no sentido de criar vida em tubo de ensaio.

Miller misturou elementos químicos simples e gases em um tubo de vidro e os atingiu com uma rápida descarga elétrica para induzir reações químicas. A ideia era estimular as condições da suposta Terra primitiva e mostrar que elementos químicos simples poderiam realmente ter reagido para criar as unidades básicas da vida.

Para surpresa de todos, o que apareceu do outro lado do aparato do laboratório foram aminoácidos, as unidades básicas da proteína, importante constituinte dos seres vivos. A notícia foi eletrizante. Poucas pessoas podiam ousar sonhar que os elementos de uma célula viva pudessem ser produzidos em condições supostamente existentes na Terra primitiva.

O sucesso de Miller pareceu prover uma evidencia dramática da causa naturalista da origem da vida. O episódio teve efeito dominó, gerando uma serie de experimentos similares, alguns usando calor como fonte de energia, ao invés da carga elétrica de Miller; outros usando luz ultravioleta para simular a luz do Sol. A maioria dos experimentos teve sucesso em produzir aminoácidos, e os aminoácidos até se uniram em cadeias químicas, assemelhando-se a proteínas. Os resultados foram noticiados em manchetes, uma atrás da outra.

O problema com toda essa atividade frenética é que ninguém está fazendo perguntas críticas sobre o que essas experiências realmente provam. O que se sabe, comumente, é que todas dão suporte à teoria de que a vida teria evoluído espontaneamente de elementos químicos simples em um charco primitivo cerca de quatro bilhões de anos atrás. Mas foi assim mesmo?

Antes de prosseguirmos, assista a trechos que separamos do documentário "A Origem da Vida", exibido pelo History Channel.


Agora que você conhece o assunto, acompanhe os próximas postagens com alguns "problemas" na experiência de Miller que iremos destacar.

Entrevista com o bioquímico e escritor Michael Behe


O bioquímico e professor universitário norte-americano Michael Behe tornou-se mundialmente conhecido por desafiar a teoria da macroevolução em bases científicas, com suas pesquisas e seu livro A Caixa Preta de Darwin: O desafio da bioquímica à teoria da evolução, lançado no Brasil pela editora Jorge Zahar, em 1996. Behe foi o grande responsável por popularizar o que ficou conhecido como sistemas de complexidade irredutível - mecanismos compostos de partes complexas e interdependentes que não poderiam surgir nem evoluir em etapas sucessivas ao longo do tempo, uma vez que uma parte depende da outra e não podem funcionar sozinhas. Em recente visita ao Brasil para participar de um ciclo de palestras e da inauguração de um centro de pesquisas em design inteligente, na Universidade Mackenzie, em São Paulo, o cientista concedeu a seguinte entrevista ao jornalista Michelson Borges: