3 de agosto de 2017

Se Deus é eterno por que o universo não poder ser?


A eternidade, além de ser uma ausência de tempo, é uma qualidade do ser que não muda, não sofre modificações nem está submetido ao tempo. O universo muda, se corrompe, e por isso não pode ser eterno por si só. E é exatamente porque o tempo é a medida dessa mudança que é preciso um ser atemporal e ETERNO que a tenha causado: DEUS!

Para que possamos utilizar a lógica e a razão, precisamos ter consciência do objeto estudado e de nós mesmos. Tem que haver um algo de que todos os aprendizados, leis, propriedades, capacidades, possibilidades emanam. Esse algo tem que ser imóvel (não mudar qualitativamente), e é a existência desse algo que explicaria a existência de coisas que mudam, como você, a natureza e o universo.


Para algo ser Deus, esse “algo” transcende a razão de ter sido causado por alguém. Logo, se existe um Deus, supomos que ele seja:

Eterno, pois não teve causa.
Atemporal, pois está fora do domínio do tempo.
Onipotente, pois seu poder é ilimitado.

Partir dessa concepção de divindade ajuda a eliminar qualquer falsa discussão sobre a origem de Deus ou sobre a natureza de Deus. Então para se discutir se há um Deus jamais podemos partir do pressuposto comparativo politeísta, mitológico ou de deuses criados por razões humanas.


Uma vez que vivemos em um universo de causa e efeito naturalmente assumimos que essa é a única maneira em que qualquer tipo de existência possa funcionar. No entanto, a premissa é falsa. Sem a dimensão do tempo não há causa e efeito, e todas as coisas que poderiam existir em tal esfera não teriam necessariamente que ser causadas, mas sempre teriam existido. Portanto, Deus não tem necessidade de ser criado, mas, na verdade, criou a dimensão de tempo do nosso universo, especificamente por uma razão: para que a causa e o efeito existissem para nós. No entanto, desde que Deus criou o tempo, causa e efeito nunca se aplicam à existência dEle.


A ideia de que Deus pode ser eterno nos leva à ideia de que talvez o universo seja eterno e, portanto, Deus não precisaria existir. Na verdade, essa era a crença predominante de ateus antes de os dados observacionais do século 20 refutarem fortemente a ideia de que o universo pudesse ser eterno. Esse fato apresenta um grande dilema para os ateus, uma vez que um universo não eterno implica que ele deve ter sido causado. Talvez Hebreus 11:3 esteja correto! Para harmonizar suas crenças com esse fato, naturalistas têm especulado sobre a possível existência de algum mecanismo que possa gerar universos.


Além do problema da origem do universo, ainda existe o do ajuste fino: inúmeros parâmetros do universo estão finamente ajustados para que a vida seja possível. A probabilidade de isso ocorrer por acaso em uma dada oportunidade (criação do universo) é insignificante. Na tentativa de resolver esse “problema”, naturalistas têm especulado que o suposto mecanismo que talvez exista e crie universos gere uma infinidade de universos com todas os valores possíveis de parâmetros. Nós viveríamos em um dos que possuem uma combinação tal que permite a existência de seres vivos.


Mas existe ainda outro problema: um dos instrumentos matemáticos mais poderosos para estudar tanto as leis deste universo quanto as de qualquer outro que se imagine utiliza-se do princípio da ação mínima, deduzido a partir de características de Deus ensinadas na Bíblia. Trata-se de um princípio de otimização. Por que as leis físicas deste ou de qualquer universo obedeceriam a um princípio de otimização se, em última instância, as leis físicas são aleatórias? E o que determina o que é aleatório e o que não é se não existem leis físicas para gerar leis físicas?


Uma desculpa que tem sido usada para não levar em conta a possível existência de um Ser que criou a realidade física é a navalha de Occam. As explicações para o que observamos devem ser as mais simples possíveis. Deus seria a explicação mais complexa possível, pois Ele é infinito. Mas isso é uma falácia. Quando definimos uma estrutura matemática (para usar em modelos), o fazemos por meio de um conjunto de axiomas. Cada axioma torna a definição mais específica. Sem os axiomas, tudo (o infinito) se encaixa na definição. A cada axioma acrescentado, perdemos generalidade e nos “afastamos” do infinito, indo do geral ao particular, do infinito ao finito. Quanto mais axiomas adicionamos, mais complexa é a definição de nossa estrutura matemática e mais complexos serão os modelos que a utilizarão. Por essas simples considerações, já é possível notar que o mais simples está no infinito, não no finito. A ideia de que Deus é a hipótese mais complexa por ser Ele infinito é um equívoco. Na verdade, se corretamente utilizada, é uma hipótese com grande poder de simplificação matemática, desde que não se recorra ao princípio da preguiça seguido por alguns: “Deus fez assim e pronto, não preciso explicar como.”

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